sexta-feira, agosto 30, 2002

Dia 30 de Agosto

Acordei tarde. A Primeira Dama já havia se retirado quando acordei. Peguei meu Bucéfalo Caloi e voltei ao meu Palácio de Inverno. Hoje não poderei treinar matança a mão livre. Almocei junto com minha mãe, a Rainha Sophia, a Cruel, minha irmã, Rachel, a Séria, e meu irmão. Ordenei que meu exército no Reno, cruze o mais breve possível o vale. Minha cavalaria está disposta na vanguarda e na retaguarda. Não quero ser pego com a retaguarda na mão como o digníssimo Napoleão Bonaparte. Enquanto não recebo notícias, aguardo as festividades de hoje a noite. Pelo que soube, o grosso de minha infantaria, bem como minha artilharia, espera novos comandos. Implementarei a formação da Garça das campanhas ao sul. Devo comprar presentes para minha amada visto que seu aniversário chega em breve. O maior problema está no tesouro imperial. As campanhas no exterior tem esgotado recursos, de modo que fica difícil dar aquela série de jóias que minha amada tanto gosta. O que dar? À noite comemoraremos enfim o aniversário de meu irmão, Bruno, o Barbudo, junto com a família. O baile promete ser um acontecimento como nunca visto neste feudo.
Dia 29 de Agosto

Hoje resolvi não implementar nenhuma ofensiva, afinal é aniversário do meu irmão mais novo, o pequeno Bruno, o Barbudo. A Campanha na Pomerânia Francesa parece não estar trazendo os resultados esperados. Apesar de não haver nenhum baile ou festividade que se preze ao meu grande pequeno irmão, pedi ao comandante de meu exército no Cáucaso que desse uma salva de tiros em comemoração ao aniversário de meu ente. A Primeira Dama está ausente devido a compromissos protocolares junto a Embaixada da Prússia. Treinei junto ao meus homens técnicas de matança a mãos livres. Voltei ao meu Palacete Provisório sem que tenha tido nenhuma vitória por hoje. Meu cavalo, o Bucéfalo Caloi, parece não estar bem. Meu cão pessoal de ataque está no cio, sujando toda minha mobília vitoriana. Tive que cobri-los com mantas de seda da província de Huan. Meu pai, Gustav I ainda tenta manter sua posição em Brasília. Mais um dia sem conquistas.
Debate dos Intragáveis

Em uma controversa discussão no horário eleitoral discutem um Bacharel em Relações Internacionais e um mendigo sobre as principais questões políticas internacionais contemporâneas.
Mediador - Eu gostaria de saber dos candidatos o que eles pensam sobre a proposta norte-americana de atacar o Iraque?

Mendigo – Piraque, o biscoitinho?

Mediador – não, Iraque, os árabes.

Mendigo – Ahhhhh

Neste momento registra-se o riso contido do Bacharel em Relações Internacionais

Bacharel em RI’s – No que tange a política externa americana e, desde seus primórdios, a política de poder, o jogo de soma não zero, que caracterizam o atual sistema internacional; os grupos erráticos, e a própria governança global dentro de um complexo modelo de blocos transnacionais, o que se pode observar é que.... (Péimmmmm)

Mediador – Candidato me desculpe mas seu tempo acabou

Mendigo – Os mericanos nunca deixa um pão pra nós. Já atacaram o francês, agora quer atacar o árabe. É culpa do FeMI nós num ter pão. Eles num reparte, dasqui poco vão atacar também os italiãonu .No meu guvreno vai ter pão pra todos. APLAUSOS

Mediador – E o efeito El Niño, como os candidatos vêem a não Assinatura do Protocolo de Kyoto por todos os seus membros?

Bacharel em Relações Internacionais – Todos sabemos que a globalização não é um fenômeno recente. Retomando os feitos históricos dos persas, dos mercadores de Veneza, depois de Portugal e Espanha. E analisando isto por um viés neo-marxista, principalmente no que concerne aos principais meios e modos de produção. Podemos dizer, através de uma releitura da própria sociologia que....... (Péimmmmmm)

Mediador – O Senhor excedeu seu tempo candidato

Mendigo – Quanto o el ninho eu posso dizer que cada um tem a casa pra si pórprio. Eu vou dar casa pra todos a gente, seu ninho. Esse negócio de proctocológo e membro. Eu acho que a saúdi no país é percária. Todos vão ter saúde nu meu groveno. Mas que cada um cuide dus seu membro como quizzzer. APLAUSOS

Mediador – A última pergunta aos candidatos: A respeito da Guerra Bacteriológica que dizem ser bem provável em um futuro próximo, o que os candidatos pensam disto?

Bacharel em Relações Internacionais – Antes de responder a pergunta o que posso dizer é que os conceitos de guerra estão deturpados no atual cenário internacional. Há que se repensar os conceitos, a etimologia, a epistemologia e mesma a tautologia dos termos. O que é guerra? O que entendemos por é? Bom, no atual sistema internacional, um misto de relações transnacionais, onde os canais de comunicação exercem grande influência na conformação de uma incongruê...... (Péimmmmmm)

Mediador – Seu tempo candidato

Mendigo – Já estâmo cheio de pobremas no país. Acho que nóis num deve se meter na guerra bactreologia. Se elas quer brigar isso não é dá nossa contcha. No meu gruveno, vamos vilve em paiz com todos gente du muundio. APLAUSOS

Mediador – No próximo programa teremos o debate entre o Bacharel em Relações Internacionais e a Loira Burra. Muito Obrigado e Boa Noite.
Depois de muitas tentativas de reunir em um só filme todas as estrelas das artes marciais.... Em um acordo entre a Metro Goldfinger Productions, a Mario Bros. Corporation, a Dragon Entretainement Television e as Organizações Chuck Norris.... Temos o orgulho de apresentar o novo clássico do DOMINGO MAIOR e do CORUJÃO. Este filme desbancará Charlie Bronson e Clint Eastwood do horário nobre da TV no domingo.

Apresentamos: O Desafio do Dragão Mortal Kickboxer Chinês contra a Fúria Mortífera Difícil de Matar

Estrelando: Chuck Norris
Produção: Chuck Norris
Direção de Arte: Chuck Norris
Figurino: Chuck Norris
Trilha Sonora: Chuck Norris
Efeitos Especiais: Chuck Norris

Cast

Don ‘The Dragon’ Wilson (Dragão Chinês)
Lorenzo Lamas (com aquele índio e aquela loira que estão em todos seus filmes)
Michael Dudikoff (Ninja Americano I ao VII)
Bolo Yang (O Hércules Chinês, o chinês do peitão)
Brandon Lee (Massacre no Bairro Japonês PS: Se ele fosse tão bom lutador como diziam ele teria desviado daquela bala ou pegado ela com o dente)
Jean-Claude Van Damme (que devia chamar Van DAME)
Ralph Macchio (Karate Kid) e o Sr. Myagi
Steaven Seagal (o monge italiano gordo)
Dolf Lundgren

* Não foram convidados para esta superprodução Jet Li, Bruce Lee e Jack Chang por que não decoraram as coreografias de luta.

Sinopse: O detetive ranger Alan Prescot (Chuck Norris), um exímio lutador de artes marciais, treinado pelo lendário Mestre Ching Chong (Sr. Myagi), tem seu amante gay assassinado em um combate mortal em Hong Kong – no famoso torneio pelo Dragão Dourado. A morte de seu amante foi tramada pela máfia de lutadores chineses e por seu líder, inimigo de Prescot, o terrível Scott Ching (Ralph Macchio). Prescot não queria mais lutar. Com a morte de seu amado, o ranger retorna as montanhas da China e reencontra seu antigo mestre. Treina lá por algum tempo (quebra coco, chuta árvore, pega peixe no lago com as mãos, luta de olhos vendado, pega bala com os dentes e etc.), com aquela trilha sonora típica de filmes de artes marciais. Voltando a Hong Kong, ele entra no torneio. Enfrenta vários lutadores, mestres em diversas artes marciais e de diversos países, em vários andares de uma casa (Dolf Lundgren – ex-mariner norte-americano dos EUA, Steaven Seagal – ex-policial italiano do Bronx, Jean-Claude Van Damme – ex-agente secreto francês que tem um irmão gêmeo que também luta, Brandon Lee, ex-detetive chinês, Michael Dudikoff – ex-combatente inglês na Guerra das Malvinas, e Bolo Yang (o chinês do peitão). Seu amigo Mark Breton (Lorenzo Lamas), é ferido gravemente no torneio por Scott. Alan jura ganhar o torneio pelo amigo e vingar a morte do amante (Don ‘The Dragon’ Wilson). Em um combate mortífero e mortal, ambos lutadores sem camisa, suados e sangrando, evocam super-poderes, o chi, o kiai. Alan relembra as lições de seu mestre, enquanto flashes da morte de seu amante passam pela sua cabeça. Scott Ching tenta aquele golpe do filme Karate Kid, mas em vão. Prescot já havia treinando contra isto. O herói então desfere o golpe mortal, uma voadora, rasteira, com duplo soco frontal e cabeçada lateral, do tigre. Seu inimigo cai em um espeto, e ainda diz: vejo você no inferno. Alan responde filosoficamente: Vá você primeiro. Nisto a polícia local invade o torneio. Alan é ovacionado por todos. FIM

quinta-feira, agosto 29, 2002

Estômago de Aço

Outro dia quiseram me servir dobradinha com angu e rabada. Eu recusei no primeiro instante. Depois pensei: Ora, eu engulo que KLB, Sandy e Sandy Júnior, Vanessa Camargo, Tony Garrido e Angélica são cantores; eu engulo que Luciana Gimenez, Monique Evans e Adriane Galisteu apresentam programas na TV pelos seus talentos e não por que der*** para alguém; eu engulo que Bam Bam, Tyrson e Cida são estrelas; eu engulo que o Rubinho Barrichello é piloto; eu engulo que jogador de futebol merece ganhar 300.000 por mês, andar de carrão e morar no exterior; eu engulo Garotinho, Orestes Quércia, Paulo Maluf, Collor, Newton Cardoso, Leonel Brizola; eu engulo até Carola junto com Agnaldo Timóteo e uma pitada de Jorge Pontual; Então porque recusar um dobradinha, já que eu engulo qualquer coisa.
Videoteca do Senhor da Guerra
Os Top Ten

1) Átila, o Huno (Europeu) – Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e vê seus sonhos destruídos, quando resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
2) Coração Valente (EUA) - Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
3) Gladiador – (EUA)Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
4) O Resgate do Soldado Ryan (EUA) – Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
5) O Encouraçado Potekim (Europeu) – Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
6) Além da Linha Vermelha (EUA) – Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
7) Stalingrado (Europeu) – Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
8) Circulo de Fogo (EUA) – Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
9) A série Band Of Brothers (EUA) – Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos
10) Inimigo Mortal (Japão) – Sinopse: Um sujeito que perde seu amor e resolve lutar por uma causa e destruir seus inimigos

* Isto está parecendo os filmes de Artes Marciais. Sinopse: o irmão, o pai, a tia, a namorada ou o cachorro do herói é morto. Ele é magrelinho e encontra um mestre que o treina. Depois de muita música baranga no treinamento, ele enfrenta seus inimigos um a um, até enfrentar o assassino de seu ente morto.

E eu recomendo: O Patriota; Atrás das Linhas Inimigas; Falcão Negro em Perigo; Caçada ao Terrorista, Apocalipse Now; El Cid
E veja nos cinemas mais próximos: Windtalkers (sobre o Código Navarro) e a Identidade Bourne

Videoteca da Namorada do Senhor da Guerra (detalhe: o Senhor da Guerra tem que ver todos)

O Diário de Bridgite Jones – Sinopse – Uma comédia romântica, blá, blá, blá .....
Sintonia do Amor – Sinopse – Uma comédia romântica, blá, blá, blá .....
A Lente do Amor – Sinopse – Uma comédia romântica, blá, blá, blá .....
Um Linda Mulher – Sinopse – Uma comédia romântica, blá, blá, blá .....
Coisas que você pode dizer só de olhar para ela – Sinopse – Uma comédia romântica, blá, blá, blá .....
De Caso com o Acaso - – Sinopse – Uma comédia romântica, blá, blá, blá .....
e blá, blá, blá, blá, ...... blá, blá.

Ou seja, todos os filmes que tem amor no título.
Fracasso é uma condição e não uma situação

Um certo dia me perguntaram acerca de meus sucessos e meus fracassos. Na hora pensei em diversos feitos ao longo de minha vida para ilustrar sucessos e fracassos mas resolvi dar uma resposta um pouco diferente. Esqueci tudo o que é fato e pensei na minha vida como um todo. Se cheguei aonde estou significa que tive mais sucessos do que fracassos, não é verdade? Eu acho que nós temos mania de pontuar nossas vidas em momentos bem específicos. Tipo: Passei no vestibular – sucesso; não estou conseguindo um emprego – fracasso. É como se tivéssemos um marcador interno que delimitaria depressão e felicidade na ordem diretamente proporcional aos nossos sucessos e fracassos. “Falhei”, então meu marcador indica que eu estou caminhando para a depressão. “Acertei”, beleza, então estou mais próximo da felicidade. Que bobagem. Cada respirada minha a mais é um indicativo de sucesso. Significa que ainda estou aqui (e posso até escrever este monte de besteiras).
Ouvindo as respostas das demais pessoas fiquei ainda mais preocupado. Quase todas as pessoas colocavam como sucesso as conquistas profissionais alcançadas (vestibular, estágio, emprego, concurso e por aí vai). Eu pensei comigo mesmo: Gente do céu, as pessoas só conseguem associar ao sucesso os ganhos materiais, principalmente profissionais, o que é que tá acontecendo com o mundo. Fui mais além em meus pensamentos: posso não ter um emprego agora, e portanto, um dinheirinho disponível, mas isto não impede de eu me sentir um ser de sucesso. Não sou um fracasso por estar desempregado. Tenho uma boa família, um amor, amigos, saúde, sou formado, inteligente (talvez?), bem humorado, por que então não me sentiria um sucesso. Por que teria que pensar só nesta minha situação atual? Sucesso para mim é condição de ser e não situação de estar. Eu sou uma pessoa bem sucedida; não estou bem sucedido.
Analisando todos os aspectos da minha vida pude perceber que sou um sucesso. Se está faltando grana e ocupação profissional isto não significa que minha vida inteira não pode estar dando certo. E mais, situação profissional e financeira para mim é complemento de uma vida realizada (não se esqueçam que sou budista e aquariano). De nada adianta ganhar seus 5000 por mês e sua vida amorosa ser um fracasso, seus amigos te abandonarem, você estar enfermo, brigando em casa o tempo todo. As situações de sucesso de sua vida preenchem, complementam, mas não determinam sua condição. Isto pode parecer discurso de quem busca em outras esferas da vida, que não a profissional, um alívio para suas frustrações, mas não é. Aprendi, neste maior momento de dificuldade, a valorizar as pequenas coisas da vida. Um telefone ou carta de um amigo, um passeio na praça, um filme na TV, o céu, o almoço de cada dia. Larguei toda negatividade e depressão que envolvia aquela minha situação momentânea. Quando comecei a sorrir para a vida novamente, entendendo minha condição de pessoa de sucesso, parece que a vida sorriu para mim. Em poucos dias obtive todo aquele ‘sucesso’ que nós jovens entendemos como o carro-chefe da vida de formados. O tal sucesso na carreira profissional. Mas percebi que aquilo foi só um complemento e que não mais determinaria minha vida. Fiquei satisfeito mas não me senti mais ou menos feliz, até por que sem isso já me sentia feliz. Como dizem os jogadores de futebol: “Ele veio para somar”. Por essas e outras eu digo: sucesso é uma condição e não uma situação. A única pessoa que pode dizer se você é bem sucedido ou um fracassado é você mesmo. E mais: quanto mais você ver sua vida como pontos específicos, momentos dados, menos você verá o seu ser por inteiro, o conjunto e, portanto, mais você tenderá a se ver como um reflexo daquele ponto específico (mera ilusão). Sucesso no ponto não é sucesso na vida.
Comédia Eleitoral Gratuita

Para quê perder tempo assistindo Casseta e Planeta, A Turma do Didi, Zorra Total e as Praça é Nossa da vida, se você pode ter o melhor da comédia reunido em um só programa. Assista o Programa Eleitoral Gratuito e aí você vai ver o que é palhaçada de verdade. Além de você poder escolher seu candidato, se é que já não o fez, pode ainda dar boas gargalhadas. Você pode ver pérolas como:
1)Vamos pescar e ter uma vida boa cumpade Interlocutor 1. Mas como é que nós vai? Interlocutor 2. Uai, nós vai de Carone. Vote Carone;
2) Vote em Tião Anão, dos males o menor;
3) Trabalhador que bate cartão, não vota em Patrão, pelo salário mínimo de 1500 reais;
4) Para trancar os políticos corruptos, vote em Francisco (ou Zé) Cadeado. E o sujeito ainda me mostra um cadeado.
E esta é a maior piada de todas:
5) Newton Cardoso, um Político De Verdade

Eu só posso dizer: hahahahahahahahaha. Mas ainda tem mais. Tem um tanto de gambé candidato. Pelo que vi, uns 40% da força policial de BH está se candidatando. Eu me pergunto: eles não deveriam estar trabalhando pela nossa segurança ao invés de estar indo fazer papel de palhaço na TV? Pelo que sei policiais não podem ter dois empregos (Policial e Comediante). E outra: Enquanto você está sendo assaltado na rua, tem um policial fazendo campanha política. Mas que beleza. Viva o Brasil.

quarta-feira, agosto 28, 2002

Frases do Senhor da Guerra

O sujeito mais radical do mundo é um Republicano Islamizado

Guerra na concepção hippie é falta de amor, na minha, é falta de sexo

Na guerra atual, terror é o que fazem em nosso território, no território dos outros é campanha militar

A economia brasileira é igual a um impotente reincidente; acha que vai sempre melhorar e quando tudo dá errado novamente, põe a culpa no externo

A diferença entre um pai e um corrupto é muito sutil. O pai tira de sua boca para dar para o seu filho; o corrupto tira da boca dos filhos dos outros. É tudo uma questão de fonte.

Recém-formado no país é o desempregado que, igual a família real brasileira, não perdeu a majestade

Ser recém-formado é igual sexo na velhice. Você quer fazer tudo o que aprendeu e acaba, com muita sorte, tendo que fazer o básico e mesmo assim se tiver tido uma ‘ajudinha’.
Parece que agora consegui resolver os problemas técnicos
Que dificuldade com este troço. Não acho meu próprio endereço.
Biotecnologia a venda

Nesta última semana o nosso presidente anunciou uma nova lei acerca da possibilidade de transferência de nosso patrimônio genético para o exterior. Ou seja, todo o nosso arsenal biológico e genético, um dos maiores do mundo, poderá, a partir de então, ser transferido para outros países. A nossa biotecnologia, um dos setores estratégicos mais promissores de nosso país, estará, daqui a poucos anos, à venda no mercado externo. Isto significa que a única coisa que poderíamos manter para nós mesmos no futuro entra agora no mercado, como uma espécie de novo commodite. Se não bastasse vendermos nossas industrias, vendermos nosso sistema financeiro e econômico, nossa tecnologia tradicional, e grande parte de nosso patrimônio natural, vamos começar a leiloar nosso patrimônio genético. Uma vantagem que teríamos no futuro entra agora no mercado. Se não dotamos de indústrias competitivas internacionalmente para manipulação deste material (afinal são apenas algumas poucas) então para que mantê-los em nosso poder. Devemos compartilhar com o mundo, já que a idéia imperante no sistema internacional é livre mercado, harmonia, cooperação etc. Daqui a pouco os estrangeiros vão começar a querer comprar nossa próprias mães, e se bobear, dependendo do preço, vamos vende-las. Enquanto compramos remédios caríssimos no exterior, monopolizados por algumas industrias, vamos vender baratinho o que pode ser utilizado para a criação de novos remédios e que temos aqui, em qualquer matinho da esquina. Quem sabe daqui a poucos anos, uns Bin Ladens da vida não vão estar utilizando algumas novas armas químicas produzidas com nosso material genético. Seria um ataque biológico internacional totalmente com matéria prima brasileira. Que orgulho! Depois de vendermos urutus para o Iraque, poderemos, em alguns anos, vender alguns vírus para usar contra o Irã, Israel ou mesmo contra nós. Ia ser o maior barato. Nós podemos estar de viagem nos EUA e ser atacados por armas tupiniquins. Morri porque contraí, em Nova Iorque por exemplo, uma febre amarela amazônica. Você não imagina o orgulho que sentiria. Pelo menos algum produto brasileiro ia ter grande aceitação no mercado internacional. E mais. Imagina daqui a alguns anos, quanto o mundo estiver tão degradado, com um monte de animais extintos, sem que o protocolo de Kyoto tenha sido assinado, e nós tivermos que importar matrizes de ararinhas azuis dos gringos. Eles poderão re-produzir, através de uma tecnologia de ponta, e dominando nosso patrimônio genético, seres da nossa fauna e flora. É tão bom termos nascido no Brasil. Aqui é o país das oportunidades. Podemos vender e comprar tudo que quisermos. Podemos comprar e vender dignidade, moral, consciência e agora, temos mais um novo produto: nossa herança genética. Nosso patrimônio bio-tecnológico. Quem sabe podemos vender para os estrangeiros essa doença que temos no país: a de sermos otários. Quem sabe um terrorista pode jogar um gás num metro de Paris e transformar todos em babacas. Aí eles voltam lá e começam a comprar tudo, até os políticos do mais alto escalão. Ia ser um novo tipo de guerra. Jogamos o vírus Brasil (doença parecida com a do Risco Brasil) e depois usurpamos e pilhamos tudo que podemos. Destrua um país sem que ele perceba (Este será o slogan da nova arma). Esta doença tem que ser vendida o mais rápido possível porque ela já se espalhou por muitos países da América Latina e África. Vamos aproveitar enquanto a tempo. Está em nosso patrimônio genético. Apesar de termos a maior “Arca de Noé biotecnológica” vamos passar a dispô-las para quem tiver dinheiro para comprar. Já que a Amazônia já não mais nos pertence vamos leiloar tudo que temos lá. Macacos, árvores, flores, frutas, até índios quem sabe, para quando ele tiverem extintos (aí um cientista pode no futuro clona-los) estão a venda. Este arsenal genético, de domínio brasileiro, e toda tecnologia que a envolve, uma grande arma para o futuro o do Brasil, começa agora a ser usurpado. Além de tentarmos modificar o que Deus produziu com tanta sabedoria (clones e transgênicos), vamos agora vamos dar aos outros o que temos de melhor. Duvido que uma Arábia Saudita cederia o seu petróleo ou o Chile o seu cobre, então por que aceitamos a lei que abre a possibilidade de ceder nosso patrimônio genético. Somos a maior fauna e flora do mundo, mas infelizmente já estamos contaminados com o vírus Brasil. Chega de clonagem, chega de modificar as obras de Deus, chega de desfazermos do nosso patrimônio, que agora chegou a um nível inimaginável. Não deixemos destruir nosso presente e mesmo nosso futuro já que para o passado já não há mais remédio.
Olha que Viadagem.....
Não Existe Esta Coisa De Destino


E quem disse que não há destino? E quem disse que duas pessoas não podem estar marcadas para estarem juntas desde seu primeiro dia de vida e que as vezes a vida pode dar tantas e tantas voltas que se forem realmente para elas estarem juntas isto vai acabar acontecendo. Quem disse que não existe destino? Às vezes os destinos são tecidos como delicadas teias de aranha, sobrepostas umas sobre as outras e que prendem as vidas das pessoas sem que elas percebam. Um dia seus caminhos naturalmente se encontram. E quem sabe o que pode acontecer?

Esta pequena história começa com um casamento.... Um casamento há quase vinte anos atrás. O dia eu não me lembro. Na verdade, eu mal me lembro quem estava casando, e pouco me importava. Eu era somente uma criança. O que eu me lembro bem é que minha mãe me obrigara a usar uma roupinha apertada, toda enveludada, um chapeuzinho ridículo com uma peninha na aba e, claro, lembro que me obrigaram a caminhar por um longo tapete vermelho, segurando uma almofadinha com dois anéis, que eu não sabia para que servia.

Neste dia minhas bochechas doíam. Doíam de tanto terem sido apertadas pelas amigas da minha avó, quem eu chamava carinhosamente de “aquelas velhas”. “Olha que gracinha!”. “É o pajem mais lindo que eu já vi”. Pajem, que diabos é isto. E eu, que queria estar brincando com as demais crianças, desperdiçava meu tempo andando passo a passo, ao som de uma música muito chata, em direção a um homem velho de vestido que segurava um copo e uns biscoitinhos fininhos e redondos. Uns biscoitinhos que só serviam para agarrar no céu da boca e que as pessoas diziam era feita de um corpo de um tal de cristo. E olha que para fazer este percurso minúsculo, que sem dúvida eu poderia faze-lo rapidinho, se minha mãe deixasse eu correr, eu tinha ensaiado vários dias. Como se eu fosse burro. Ora, eu já havia aprendido a andar há muito tempo.

A moça, em cima de uma escadinha, estava vestida de branco, com um pano que com certeza ia fazer ela cair se não fosse um amigo meu ter que segurar para ela caminhar, tinha os olhos borrados. Parecia que ela chorava tinta. “Por que ela estava chorando? O que aquele homem na sua frente tinha feito para ela?” Eu olhei para trás, quis parar, mas minha mãe me olhava e fazia um gesto do tipo: vai, vai logo, menino. E aquele sapato doía tanto. Meus pés ansiavam por estar descalços, brincando nos jardins daquele prédio enorme, chutando um bola, ou mesmo meu irmão menor. Mas não, tinha que estar ali. Todos a minha volta me observavam. E para piorar tudo, ainda me colocaram ao lado de uma menina. “Credo, uma menina”. Eu queria é jogar bola com os meninos, usar meu estilingue, não ficar de mãozinha dada com uma menina. “Meninas não servem para nada”. Mas não, tinha que fazer isto, e em pleno domingo.

Mas neste dia uma coisa estranha aconteceu. Quando caminhava e aquele monte te olhares me observava, eu senti alguma coisa diferente. Eu vi uma menina, muito pequena, e pela primeira vez na minha vida eu não senti nojo. Ela tinha uma cara emburrada, um olhar bravo, mas mesmo assim não pude deixar de observa-la. Ela tinha ainda umas pintinhas no rosto, não me lembro bem se duas ou três, bochechas gordas, cabelinho pretinho. Estava no colo de uma senhora, mas o que importava. Eu quase tropecei. Olhei para minha mãe novamente e ela fez uma cara de reprovação. Eu continuei andando, e por alguns breves momentos deixei de pensar na tão sonhada liberdade. Por que será que as mães fazem isto com a gente? Mas naquele momento não conseguia pensar em outra coisa senão naquela menina mal-humorada.

Quando cheguei perto do homem velho de vestido, minha tarefa enfim tinha acabado. Entreguei a almofadinha e já, já estaria brincando com os outros moleques na rua. Claro, se minha mãe deixasse. A cerimônia, uma eternidade em tempo de criança, continuava. Toda hora o pessoal sentava, levantava, aí sentava de novo para depois levantar. Parecia que todos estavam fazendo uma espécie de ginástica. Me sentei com minha mãe, ora procurando os outros moleques, ora procurando aquela menina que estava sentada na segunda fileira. “Ufa! terminou a chatice”. Não via a hora de arrancar aquela roupinha de ‘prinpice’. Depois que saímos daquele lugar, fomos para um festa. Aí então foi legal, refrigerante, bola, pique-esconde e tudo mais necessário e desejável por mim. Mas não vi mais aquela menina e minha vida continuou normalmente.

Alguns muitos anos se passaram. Vivi tudo como um garoto normal. Um dia, as meninas deixaram de me dar nojo. Na verdade, comecei cada vez mais a me interessar por elas. Até que tive minha primeira namorada. Depois a segunda, a terceira, a quarta..... Isso pouco importa. Tudo era mais do que normal. Até entrar na faculdade. Na faculdade, lugar onde se conhecem várias pessoas, arrumei outra namorada. Já estava mais maduro. Parecia que poderia controlar o resto da minha vida, afinal já era adulto. Já pensava em casar, ter filhos, nada inédito. Talvez seria aquela, a escolhida, a definitiva. Finalmente pensava que meu destino estava se realizando. Entre decepções, sucessos , amores relâmpagos, e tudo mais que envolve a vida de um adulto, conheci um casal interessante. Mas não vou perder meu tempo descrevendo o rapaz, que nunca foi um assunto interessante para mim, mas a garota era diferente.

Nos corredores da faculdade eu ouvia boatos. Diziam que ela era muito brava e que eles brigavam muito. Mas o que eu tinha a ver com isto. Eu acabava de ter passado por um relacionamento longo, difícil e naquele momento queria mais era terminar minha faculdade. “Grande amor, hum?” Não queria mais saber disto. Futuro profissional era o mais importante agora. O rapaz do casal era amigo de um amigo meu. Saímos algumas vezes, conversamos e mais nada. Até cheguei a conhecer a garota mas ela me parecia meio azeda, daquelas namoradas meio mal-humoradas, a típica Dona Encrenca (Apelido carinhoso que minha mãe tinha na época). Eu acabei arrumando um outro grande amor.

Nas férias de final de ano eu e mais alguns amigos resolvemos viajar. Qual seria o destino? É, destino mesmo. Vamos para a Bahia. Terra do axé, do carnaval, das praias, da comida, da cultura e da religião afro-brasileira. Temos que tomar muito cuidado para não esteriotipar demais. Juntamos as malas rumo a Salvador. Um dos meus amigos tinha que trabalhar até meio-dia do dia 31. Não íamos conseguir chegar em Salvador a tempo do Reveillon. Tínhamos então que comemorar a passagem de ano em outro lugar. Mas onde seria? ...... pensamos bastante. Talvez ali, talvez acolá. Acabei descobrindo que tinha um primo meu, um baiano, que eu havia visto uma vez na vida tinha um camping em uma cidade no sul da Bahia. Para falar a verdade mesmo, nem me lembro o nome da cidade. Tínhamos uma barraca para cinco pessoas. Sendo que uma delas era uma mulher. Como íamos fazer para dormir era uma dúvida. Mesmo assim resolvemos ir. Lá nós daríamos um jeito (coisa de brasileiro). Exaustiva a tal viagem até esta pequena cidade. Chegamos lá pouco mais das 6 horas, com um pneu arrebentado e com um estepe ruim. Fomos almoçar e tomar um banho. Mineiro quando vai para a praia come o quê? Camarão é claro. Nós ficamos o ano inteiro sofrendo até a chegada das férias de fim de ano na praia só para comer o tal do camarão. E não é por que não se venda camarão aqui não, mas comer na praia é outro negócio. Tem gente que até tira foto disto. Aquele corpão branco, todo vermelho, (e não estou falando do camarão não), deliciando aquele espetinho, sujando a mão toda de limão, que com certeza vai dar uma daquelas queimaduras bem legal, tirando foto com a parentada toda. É, como diz um amigo meu, uma visão do inferno. Bom, deixando a farofada de lado, resolvemos nos aprontar para a festa. E tem que ser dito que mineiro quando vai para as festas em praias é fácil de ser identificado. Quase sempre, como os paulistas, está de bermuda e sapato e camisa pólo, que é ótima quando você está queimado de sol. Voltando ao que importa, fomos para a festa.

Na cidade, encontramos um grupo de pessoas que também estudavam em nosso curso. Na verdade era um bando de mulher, até porque quando elas estão solteiras elas só andam em bando, igual um monte de pombas. E é só você chegar perto que a maioria sai voando, além de fazerem um barulho maravilhoso. Desta turma, algumas meninas eram mais conhecidas, outras menos. Resolvemos todos passar o ano novo juntos. Tudo estava tranqüilo. Foi quando vi que naquele grupo estava a garota, aquela que namorava com um amigo de um amigo meu da faculdade. Lembra? Pois é. Ela estava lá. Mas eu estava envolvido com um novo grande amor, que naquela ocasião estava a milhas de distância de mim (Milhas por que ela estava nos EUA). Esta moça era muito bonita. Cabelos vermelhos, levemente encaracolados, umas pintinhas no rosto, estava bem morena de sol e muito magra. Sentamos na areia e começamos a conversar. Cada qual falando de seus amores e desamores. Descobri que seu namorado, naquela ocasião ex, estava também viajando. E ficamos por horas falando de nossas vidas, rindo, aproveitando um novo ano que viria. Mas, por conseqüências do destino, nossa conversa foi interrompida por uma amiga que estava passando mal. Levei-a ao hospital e praticamente minha festa havia terminado ali. Mas para quê servem os amigos?

Quando voltei uma das meninas desta turma que encontramos na praia nos ofereceu de irmos dormir em sua casa. Como tínhamos mais um dia de viagem longa pela frente fomos dormir. Acordamos e mal deu para despedir do pessoal. Entramos no carro e fomos para Salvador. Tomamos café em um posto e um amigo meu resolveu comer um enrolado de salsicha. Então, pode-se imaginar como foi a viagem. O ar-condicionado mal conseguia melhorar a situação.

Não preciso dizer que a viagem estava ótima. Saímos, passeamos, fizemos uma bagunça normal da juventude. Eu pensava muito no grande amor que estava viajando. Será que desta fez seria Ela? Eu me perguntava. No penúltimo dia de nossa estada, a minha amiga, que havia passado mal no Reveillon, recebeu um telefonema daquela garota da praia; aquela que namorava (ou tinha namorado) com o carinha da faculdade; aquela que eu passei horas conversando no Reveillon; aquela que eu conhecia da faculdade. Ela havia dito que estava em Salvador e que queria nos encontrar. Encontramos rapidamente, mesmo por que ela estava com um casal de ‘nativos’, parentes dela eu acho, que ficava discutindo o tempo todo e que não queria ficar na praia que estávamos. Nós, que também estávamos cansados pela dura rotina de passeios, também não estávamos muito receptivos. Foi um encontro rápido, uma conversa também rápida. Tínhamos que voltar a realidade, ao mundo adulto.

Voltamos para nossa cidade. Cada um dos amigos, agora menos amigos depois da super-convivência, voltamos as nossas vidas cotidianas. Meu grande e recente amor chegou ao fim no final das férias. Estava novamente sozinho e desiludido com a vida. Só me restava investir na minha carreira profissional. Novamente. Tentei encontrar mais algumas paixões ao longo deste ano mas nada muito sério. Encontrei novamente com aquelas meninas da praia e descobri que aquela garota que eu havia encontrado na praia, depois em Salvador, que era namorada, depois ex, agora voltara com seu namorado.

O ano foi se seguindo quando houve um festival de arte na faculdade. Festas, bebidas, diversão, coisas da juventude, rolaram a semana inteira. Achei uma nova paixão. Esta foi uma paixão drive-thru, durou apenas uns três dias. No sábado, eu combinei com alguns amigos entre eles o carinha que namorava com aquela garota da praia (novamente terminados), de irmos a festa e depois dormirmos no meu sítio. Esta festa era em um lugar afastado e por isso eu ofereci meu sítio para a turma toda dormir já que ele era perto de onde íamos e não era prudente voltarmos dirigindo depois de uma festança (Dirigir bêbado não convêm não é BH Trans?). Meu novo e recentíssimo amor não quis ir a festa comigo. Chegando lá mais bagunça, mais bebida. Um farra. E vocês não imaginam quem eu encontro na festa? O carinha da faculdade, aquele mesmo que ia dormir na minha casa e que tomava conta da ex-namorada que havia bebido demais. A ex-namorada a que me refiro é aquela da praia. Até aí nada de novo.

Festa vai e festa vem e eu encontro com esta menina, já melhor da bebedeira, e começamos a conversar. Entre papos, bebidas, lembranças do reveillon e, claro algumas cantadas, ela passa a ser oficialmente minha nova tentativa de um grande amor. Ficamos e começamos a namorar oficialmente uma semana depois, mesmo que tenhamos ficado por muito tempo escondido para evitar boatos na faculdade.

Depois de conhecermos as famílias respectivas uma surpresa. Eu descubro que meu sogro havia sido padrinho de uma casamento na qual eu era pajem. Lembra-se do começo da história? Pois é, meu sogro fora padrinho daquele casal, aquele cuja moça chorava tinta e que eu queria entregar os aneizinhos logo para poder brincar. É. E que neste mesmo casamento tinha uma menina com cara emburrada, pintinhas no rosto. Esta menina era filha dele. Ela, depois de muitos anos saiu da cidade onde morava com os pais (interior do estado), resolveu estudar na cidade e na faculdade onde eu estudava. Coincidência não? Esta mesma menina namorava com um carinha, amigo de um amigo meu, e que depois nos encontramos na praia. É, esta mesma menina que me encantou com uma conversa na praia e que depois, numa festa qualquer, se tornou minha tentativa de encontrar um novo grande amor. Pois é, é ela. Estamos juntos desde então.

E depois as pessoas dizem que não existe destino, que tudo não passa de mera coincidência.....
O que se fazer para construir um mundo melhor

Indiferentemente da religião que você professa, dos valores na qual sua vida está baseada há umas certas regrinhas básicas que são capazes de provocar uma mudança incrível a sua volta e no mundo. Há pessoas que profetizam que se uma borboleta bate as asas em um país distante o vento provocado por este movimento pode gerar verdadeiras ventanias no seu país. O que este pensamento quer dizer é que tudo que ocorre no mundo mais cedo ou mais tarde vai ter conseqüências na sua vida. Nós somos seres interligados, e nossas ações individuais tem reflexos maiores que imaginamos. A primeira regrinha que pode fazer um mundo melhor é aprender a conjugar os verbos (ações) em outro número e gênero que não seja na 1a. pessoa do singular – EU. Eu faço, eu posso, eu aconteço. Tudo bem, a culpa pode não ser sua. Nas sociedade modernas, uma construção onde a história tem um papel fundamental, especialmente na sociedade ocidental, é cada vez maior a valorização do poder individual. As empresas, as escolas, os pequenos grupos apostam sempre no valor do indivíduo, no destaque. Seria a busca incansável por nos tornarmos um messias, um alguém melhor. Querem por querem indivíduos cada vez mais competitivos, onde uma super-cabeça pensa mais do que muitas. Esta sociedade pós-moderna nunca fora tão marcada pela busca da individualização, pelo narcisismo exacerbado, pelo egoísmo como é agora. Parece que com a globalização as pessoas busquem, ao contrário, cada vez mais tentarem ser únicas, especiais, se destacar dos demais. Não se quer dizer que os indivíduos não são únicos, pois, é claro que são, mas que estes indivíduos estão inseridos em um contexto maior, de criação divina ou não, e que portanto compartilham espaço com os demais. Vivem em coletividades, tem que compartilhar infinitas coisas. A partir do momento que todos passam a se ver como seres únicos é natural que só se pense nas próprias necessidades. Novamente o que fora criado para ser do grupo é visto como uma propriedade privada sua. Neste sentido tudo passa a ser seu se ninguém questionar seu direito sobre aquilo primeiro. A velha e boa propriedade privada, construção dos modernos e tão defendida em vastas constituições federais. Esta idéia se imiscuiu tanto em nossas sociedades que tudo passa a ser privado. Não se pensa mais, por exemplo, que quando alguém estraga um telefone público aquilo é um mal para o coletivo mas pensasse ao contrário: “E se EU precisar daquele telefone”. “Isto é um absurdo”. Deturpou-se os conceitos. A corrupção, outro grande exemplo nesta mudança de perspectiva, e que tem causado tantos debates nas sociedades nacionais, deve ser combatida a luz de uma idéia de coletivo. Quantas vezes pensamos: “Este corrupto está roubando MEU dinheiro”; “EU pago imposto para ele ser desviado por estes corruptos”. Novamente eu, meu. O Darwinismo Social, o estado de natureza hobesiano, o etnocentrismo cultural, devem ser rapidamente substituídos pelo sentimento de coletivismo, pela humanização das relações. Não se tenta aqui pregar ideologias políticas, pelo contrário, até por que as ideologias são grupais, são restritas, mas sim se pensar que o mundo não é formado pela soma de vários Eus, ele é formado por um todo de seres e não só humanos. E que estes seres dependem uns dos outros, não hierarquicamente, colocando uns como sendo mais aptos e outros não. Todos os seres que vivem na terra atualmente são aptos (se se quer fazer referência a Darwin), porque se não, não estariam aqui neste momento. Mas cada ser tem necessidades diferentes, forças e fraquezas distintas. Se formos eliminar tudo aquilo que for mais fraco que nós, tudo aquilo que tem necessidades menores que nós, vamos exterminar todos os velhos, todas as crianças, todos os deficientes. E vamos criar um mundo que um grande líder como Hitler já sonhava no início do século. Se pararmos de pensar na 1a. pessoa do singular talvez o mundo começasse a melhorar um pouco. Tente por um dia talvez, ou mesmo por algumas horas esquecer suas necessidades, seus medos, e mesmo suas qualidades. Tente em uma conversa despretensiosa de meia hora esquecer que existe esta conjugação. Veja como é difícil. O passo seguinte é praticar a idéia de Nós. Exercite um pouco o coletivo. Primeiro comece pensando em Nós família, depois em Nós Prédio, Nós Vizinhança, e assim até chegar em Nós Humanos e quem sabe até Nós Seres da Terra. O Eu, a borboleta do início da conversa, pode se transformar em Nós, a ventania, ou um furacão que devastará todo o egoísmo, todo a narcisismo que paira sobre nosso mundo. Esta ventania retirará toda poeira que cobre nossa visão e que dificulta a construção de um mundo melhor.
A segunda idéia que talvez possa ser melhorada é a idéia de felicidade. Novamente independente de religião, cor, classe social, e todos as classificações que criamos, todos buscam a felicidade. Esta felicidade também deve estar separada da idéia de EU. A minha felicidade não pode ser construída somente no MEU bem-estar, até porque podemos estar prejudicando um outro alguém ou mesmo o coletivo, o mundo quem sabe. Felicidade não é sensação, não é algo temporário, transitório. Felicidade deve ser um estado permanente. É este conceito de Felicidade que o Dalai Lama, líder espiritual do Tibet, vem pregando. Mas esqueça por alguns momentos que ele é Budista. Ser feliz é diferente de Estar Feliz. Conhecemos pessoas pobres extremamente felizes, ricos também; católicos felizes, muçulmanos felizes; africanos e europeus felizes. Felizes nas adversidades e nos momentos bons. Por que? Talvez por que estas pessoas descobriram que a Felicidade não é uma condição do momento, é uma construção de uma vida. Freud dizia que o homem está sempre buscando algo. Que este homem já nasce com uma lacuna em sua vida. E que ele passa a vida inteira tentando preencher esta lacuna. Tem maior Felicidade que estar vivo? Respirar? Ver o mundo? Experimentar o novo? Relembrar o que vivemos? Nós nascemos plenamente felizes. Depois é que começamos a aprender que falta algo. Falta o alimento, falta a chupeta, falta o brinquedo, falta o carro, falta o material. E daí passamos o resto da vida tentando suprir o que falta, que sempre parece aumentar. Mas isto que falta é transitório, temporário. E quando suprimos aquilo que faltava, surge uma nova falta, e assim seguimos nossa vida até o fim, buscando algo. É o cachorro que corre atrás da cauda. Ele não percebe que pode passar a vida inteira assim sem nunca alcançar este objetivo. Esta sensação gera um mundo de pessoas frustradas, infelizes, cansadas por estarem sempre atrás da cauda. Algumas até desistem, se matam. Mas quando você percebe que a cauda esteve sempre lá, que ela faz parte de você, você não precisa mais procura-la. Você percebe que a felicidade esteve sempre em você. É você que não percebeu que já a tinha há muito tempo e que correr atrás dela foi um desperdício. Você se sente então pleno, realizado. A lacuna de sua vida, suas metas, seus objetivos (que no fundo sempre foi ser feliz) já te acompanha há muito tempo. É você que não tinha percebido. Pobre, rico, amarelo, branco, brasileiro, tibetano, homem, mulher, você descobre que sempre pudera ser feliz (pleno), só não tinha ainda percebido que você já tinha esta felicidade em você. E percebe ainda que passou a vida inteira tentando alcançar a cauda sendo que ela já estava em você. A cauda não é um emprego, não é um carro, não é uma roupa, uma viagem, um amor, ela é e sempre foi no fundo a felicidade. Estas outras coisas não são felicidade, até porque se você bate o carro, se você perde o emprego, não viaja ou não compra uma roupa não significa que mesmo assim você não é uma pessoa feliz. A Felicidade é Ser e não Estar. Se ter um carro é ser feliz, quando você perde-lo você não será mais. E assim passara toda sua vida buscando felicidade onde ela não esta. Ela está em nós. É só procura-la direito. Por isso pergunte-se: Você é feliz? Ou somente está feliz? Eu sou feliz ou eu estou materialmente realizado? Eu sou feliz mesmo não estando materialmente realizado? Ou realmente eu sou um Infeliz? Por isso eu digo: o mundo é bom, só que algumas pessoas, talvez a maioria, ainda não descobriram. E de fato tem um potencial incrível de ser ainda melhor. Descubra o ser feliz, não busque o estar feliz.
Quando percebemos que o mundo é mais do que o EU e que você tem em si a Felicidade, corrupção, desrespeito, descaso, miséria, e alguns etc’s, tudo estará resolvido. E aí sim você perceberá que já vive em um mundo melhor.
Magia, Crendices e Coisas afins

Observamos no final do milênio passado e no início deste novo um resgate muito forte do exoterismo. Inúmeras são as pessoas que buscam respostas em diversas formas, antigas ou não, da manifestação divina. E, de fato, o Brasil é um país propício a este tipo de manifestação visto a liberdade de crendices que podemos desfrutar. Somos de uma cultura misturada (sincrética) onde muçulmanos, judeus, católicos, budistas, adeptos do camdomblé, dentre várias religiões, convivem na mais santa paz. Este país pode não ser o berço das grandes religiões como é o Oriente Próximo (também chamado de Oriente Médio) mas aqui, com certeza, se abrigam (e porque não deitam em berço esplêndido) quase todas as manifestações religiosas do mundo. É neste amplo cenário que outras manifestações religiosas, também chamadas exotéricas, encontram terreno fértil para se manifestar. Algumas destas remontam séculos, milênios, outras são mais recentes. Temos xamãs, reiquianos, acupulturistas, mestres dos florais, das massagens, tarólogos, e uma infinidade de outros métodos, sejam de adivinhação, sejam de cura. Estes movimentos estão colocando o homem em um novo contato com a natureza. Digo novo porque este contato já existiu e foi muito forte em períodos posteriores na história da humanidade. O ser humano redescobre seu papel como parte de um todo, como mais um membro da grande manifestação divina, se põe em contato com o que os xamãs chamam de irmãos e pais, os demais seres da natureza. O homem redescobre ainda sua condição de manifestação energética do divino. Somos parte do criador, seja qual nome ele recebe. Somos energia, somos luz, somos natureza. Nestas incríveis manifestações do sobrenatural, agora com uma faceta mais natural, o homem se encontra novamente, se re-liga (de religião) com seu pai criador e com os demais seres da terra. Os movimentos ambientalistas, ecológicos fazem os homens se repensarem como parte de todo um sistema, um Holos. Talvez seja um novo paradigma que esteja se instaurando, um paradigma que rompe com o antropocentrismo da era moderna, com o racionalismo e o cartesianismo imperantes em nossa visão de mundo até então. Uma nova perspectiva se abre, uma nova condição e um novo papel do homem no mundo, nas sociedades, nos grupos.
O homem torna-se ainda mais sensível, mais natural e, sem dúvida, menos humano. Digo menos humano pois quero retirar toda a característica de prepotência frente a natureza que temos, um estado de quase endeusamento que sentimos ao nos confrontarmos com os demais seres. Uma vez ouvi o seguinte pensamento: ‘Quando um homem mata, trucida, tortura alguém, isto não é desumano, porque não há nenhum outro ser na natureza que faz isto. Só o homem é que faz. Só o homem destrói tudo o que vê em seu benefício”. Pensando a partir desta idéia é que meu conceito de humano se torna diferente. Este novo homem, do novo milênio, pode ser menos humano e mais natureza (não é resgatar o estado de natureza hobesiano). Ele pode ser ecológico, fazer parte do sistema, interagir sem coagir, sem destruir. Pode ser harmônico com o todo. A religião tem este papel. Ela re-liga Deus (e toda sua manifestação) aos homens. É por isto que este homem ecológico, não ecologista, é também um homem religioso.
Xamãs e budhas a parte, este novo homem é também um mago. Não um mago que faz chover, que transforma coisas em ouro ou que faz coelhos saírem das cartolas, mas um mago em seu sentido mais amplo. Não falo de Merlins, de Paulos Coelhos (sem querer ofender nosso ilustre mago), falo de magos que conseguem transformar coisas ruins em coisas boas. Ser mago, e portanto fazer magia, é transformar o mundo, transformar as pessoas. Quando você dá aquele sorriso para um pessoa e consegue provocar nela uma mudança, isto é magia. Quando você ajuda aquele que necessita, isto é magia. Magia é a cada dia fazer as pessoas se sentirem melhores, tocando seus corações e suas almas. Fazer magia é transformar o que há de pior em uma coisa boa, que ative a consciência e os sentimentos das pessoas. Ser um mago é ainda ser uma pessoa sensível, que busca compreender os outros, que sente aquilo que os outros sentem. Quando procuramos um terapeuta alternativo, um curador ou curandeiro, um psicólogo ou algum amigo, estamos procurando uma magia, algo que nos faça sentir melhor. Devemos sim procurar a magia daqueles que podem nos encantar mas nunca nos esquecermos que também somos magos, que também somos capazes de fazer mágicas maravilhosas. Ser um mago é se conhecer, é dispor-se a se ajudar e ajudar os demais.
Talvez nós não saibamos o poder de curar que temos ou pelo menos não o reconhecemos. Pensamos em magia como algo grande, incrível, sobrenatural. Não, magia é algo tão natural, tão humano (novo homem é claro) que qualquer um pode fazer. Você perceberá, aos poucos, que, quanto mais magias fizer, melhor se tornará o mundo a sua volta e mais poderoso você vai ficar. Um dia você se tornará um mago pleno, responsável por uma grande transformação no mundo. E o mais importante você vai se re-ligar com o poder maior, vai ser uma criatura divina, independente de ser católico, muçulmano, budista, xamânico ou outra destas titulações que adoramos receber.
Que mundo Gay! Quanta Concorrência!

Já faz algum tempo que venho estudando história do mundo, mais especificamente história da guerra. Para piorar agora tenho um canal no cabo novo: The History Channel, “Onde a história ganha vida”. Penso. Depois de Sargão I e de Xerxes; Peloponeso, com Tróia e etc.; depois de Faraós e Cesares, Alexandre’s da Macedônia, Átila e os Hunos, Genghis Khan e Saladin, Cualtemoch e o Sr. Cortez, Barbarossa, El Cid e toda uma patotinha de ilustres senhores, nunca me esquecendo é claro de Bonaparte e Hitler, descobri que este mundo atual é muito gay. E neste mundo gay, cheio de ecológicos, cheio de politicamente corretos, defensores incansáveis dos direitos humanos não vai ter espaço para um novo grande conquistador. Como eu vou fazer? Como a história vai se lembrar de mim? Não vou poder matar, trucidar, empalar ninguém, conquistar terras distantes e mesmo assim ser chamado de Rafael, o Grande. Que droga de mundo é este? Não tem espaço para gênios da Arte da Guerra, não tem espaço para Samurais Pós-Modernos, misericordiosos na morte. Não vou poder pisar em ninguém com meu cavalo, amassar nenhuma cabeça com meu Mace Cetro, beber o sangue de meus adversários que serei logo cercado por um bando de maricas de um Tribunal de Haia que me tratarão como um monstro. Onde está os tempos de grandes glórias?
Já sei onde está o problema. É que todo mundo hoje quer ter seus quinze minutos de glórias. Roubar alguém, estuprar outros, atirar no colega do carro ao lado por causa de uma vaga de estacionamento, seqüestrar e torturar. E neste mundo em que a plebe sem classe, mal educada massa, atua, loucos por marcar a história, não sobra espaço para grandes guerreiros como eu. Estrategistas, Senhores da Guerra, pessoas dignas que compor os livros de história, não tem mais espaço. No máximo devemos nos contentar em figurar as páginas policiais junto com os jose’s da vida que mataram as suas míseras esposas queimadas. Que mundo é este? Onde está a beleza do massacre em massa, reivindicado para os deuses e que marcam a glória de um povo? Está abafada por uns tais de Elias maluco, de Fernandinho’s Beira Mar, uns bostas sem categoria. Não há mais armas cintilantes, desafios incríveis, não há mais a chance de vermos os olhos temerosos de nossos adversários quanto vamos decapita-los em nome de Deus. É, este mundo está muito gay.
No final do século XX e início deste há pequenos flashes de grandes conquistas. Bin Laden, Hussein, Milosevitch são perseguidos pelos jusinternacionaligaysistas. Enquanto os Elias da vida saem impunes, no máximo ficam presos continuando a comandar seu império de rudes da cadeia. É, desisto. Não há mais espaço para os grandes conquistadores. Não há mais glória a ser conquistada e nem história a ser escrita. Tenho que me aposentar antes mesmo de começar. A concorrência anda feia. E a massa, esta vai continuar tentando ter seus quinze minutos de fama catando as migalhas de um império que eu não pude construir.

Rafael Von Avilawitz
Um Ditador sem o que Ditar
Antes de iniciar a leitura deste breve texto peço que, se possível, tentem lê-lo sem aquela visão maniqueísta predominante na nossa cultura ocidental.

Como vocês sabem eu tenho uma formação católica mas optei por seguir um caminho diferente há alguns anos atrás. Por isto trarei à discussão algumas considerações que envolvem aquilo que acredito (e sei o quanto minhas convicções se chocam com aquilo que a maioria pensa). Qualquer decisão que tomamos nos pautamos em satisfação de um desejo interno, e aí ele pode ser externalizado ou não, e de um desejo externo (condicionado, construído). Eu poderia chamar o desejo interno de desejo pelo ego, enquanto o desejo externo seria o desejo pela necessidade. O desejo externo, necessidade, pode ou não ser um reflexo daquilo que desejamos internamente. Os marketeiros dizem que criam produtos segundo as necessidades do seres humanos. Particularmente eu acho isto uma balela. Quais são as reais necessidades dos seres humanos? Respirar, comer, reproduzir? Necessidade não seria mais uma construção cultural e social daquilo que instintivamente ou ‘animalescamente’ realmente precisamos? Nas minhas crenças há uma separação entre ego, construído na interação com o alter, e o que os holistas chamam de eu-sou, ou essência. Os xamãs consideram este eu-sou como sua impressão da alma, única, que existe independente de sua manifestação ou não, mas que marca o indivíduo. Só os seres que descobrem seu eu-sou real tem a capacidade de se sentirem plenos (iluminados para os budistas), os demais serão sempre seres que necessitam da interação (da junção com o alter), que se sentem incompletos se não associados aos demais e que passam a vida inteira buscando o que falta (Freud). Quando um xamã retorna da morte e daí desenvolve seus poderes mediúnicos ou quando um budista atinge a iluminação e consegue perceber como o universo funciona, eles, na verdade, descobriram seu eu-sou e portanto perceberam seu papel no conjunto da vida.
O eu-sou explicando porcamente é o mesmo que dizer, por exemplo, que você age assim porque você é aquariano, com ascedente em Áries, lua em saturno e etc, dragão de fogo, com os elementais da água regendo seu gnomo. É sua marca individual no plano cósmico que define suas principais características internas. Há pessoas que entram em pânico quando percebem que não são livres porque até a conformação espacial tem influência e muitas vezes é determinante de sua ações. Quando estas características são postas na relação com os outros, na interação social, elas podem se manifestar ou não, mas elas nunca vão te abandonar. O ego surge na relação entre o alter e o eu-sou. Ao contrário do que se pensa, o ego não individualiza plenamente o sujeito porque ele é formado a partir do eu-sou (individualizante) interagido com o alter (o outro). O fato é que o eu-sou se chocaria sempre com o seu ego, quando o ego é divergente de seu eu-sou. O ego pode ser controlado, contornado, moldado, enquanto o eu-sou é, apenas existe, se manifesta ou não, apesar de estar sempre presente. O ego se torna escroto quando ele é tão influenciado pelo alter que ele abafa o seu próprio eu-sou. O eu-sou está além de suas necessidades externas, da estima, e do próprio ego. Então, comprar um carro, Pálio ou Fiat 147, não é questão do eu-sou mas do ego. Iluminação, volta de morte, sensitividade ou qualquer nome que se dê é o rompimento com o ego e o encontro com o eu-sou. O eu-sou é a percepção do holístico, é a percepção de quem você é no plano maior. Pálio, casa no Mangabeiras, nike, e mesmo a guerra perdem todo seu significado.
A guerra ocorre quando o eu-sou de cada indivíduo é suplantado pelos desejos dos alters e que portanto condicionaram seus próprios egos. Mas pode haver indivíduos com o eu-sou propício a guerra? Sim. No plano cósmico caos (criação e destruição – yin e yang) convivem harmonicamente. A desarmonia, o predomínio da discórdia, a guerra por exemplo, são momentos em que estão predominando as vontades dos eu-sou dos seres conflitivos e eles estão dominando alters e egos dos demais. O lado negro, não lado mal da força, está tendo mais impacto no momento atual que o lado branco. Os egos se desequilibraram por um momento. Há mais influência do yang do que do yin. Mas o plano universal contrabalanceia sempre a situação. New ages, xamãs, budas e bodhisatvas, ‘ecoloucos’, defensores dos direitos humanos são indivíduos cujos egos são influenciados pelos de eu-sou construtivo. Yin e Yang, o próprio caos, constrói e ao mesmo tempo destrói mas tendem sempre a harmonia. Portanto, exemplificando, há indivíduos cujo eu-sou é branco, yin, criador, feminino, ou seja, seu papel cósmico é este, mas estão dominados pelo ego negro, de alters negros, há também indivíduos cujo eu-sou é negro, yang, destruidor, masculino, e estes estão dominados por ego branco, além é claro de indivíduos cujos egos predominantes refletem exatamente aquilo que são seus eu-sou (não confundam branco, negro, destruidor, construtor, com bem e mal). A harmonia é fatal, o equilíbrio é regra, não a exceção, agora quanto tempo predominará a destruição isto eu não sei.
Infelizmente eu sei que este texto não deve ter ficado tão claro quanto eu queria. Talvez se me dessem mais tempo talvez eu possa melhora-lo, entretanto, questionamentos e idéias, creio eu novas, foram lançadas. Espero ter causado um certo desconforto, destruído algumas convicções, porque só assim é que se cria coisas novas. Viva o caos.
A Teoria da Evolução – Uma Análise Crítica

Depois de extensas pesquisas acerca da teoria da evolução das espécies constatei algumas inconsistências em suas premissas básicas. Segundo Charles Darwin, seu autor, na natureza, devido a intensa competição por alimento, habitat e por parceiros para reprodução, sobreviverão aquelas espécies que melhor se adaptarem a estas constantes flutuações naturais. Escassez, disputas, favorecerão seres mais aptos às mudanças ambientais de modo que estas características serão passadas as gerações subseqüentes. Com o passar do tempo, as adaptações de uma espécie, inicialmente exceção dentro do ambiente natural, se tornarão regras, e os inaptos a estas flutuações tenderão a desaparecer. Bicos, patas ou garras, penas ou pelos, dentição e até mesmo uma maior capacidade cerebral serão transmitidas, através do intercruzamento de espécies, à gerações posteriores. Deste modo, com a evolução morfoclimática, espécies tenderão a portar uma aparelho biológico cada vez mais completo, não complexo, e que favorecerá sua sobrevivência e de suas proles.
Darwin, através de avaliação de comportamento de espécies em ambiente natural comprovou sua tese. Analisando, ao longo de suas viagens, espécies de pássaros na costa da Venezuela, o cientista pode perceber que com o passar dos anos e, na medida em que o ambiente natural sofria modificações consistentes, principalmente climáticas, algumas espécies tendiam a desaparecer, enquanto outras apresentavam um crescimento exponencial considerável. Suas conclusões foram as supracitadas. A partir de então, e tomando como base as conclusões de Darwin, uma nova safra de cientistas, os evolucionistas, passaram a figurar o mundo científico moderno.
Novas teorias foram desenvolvidas. Uma das mais marcantes foi a da evolução das espécies primatas. Segundo este estudo, o homem é um parente direto dos símios, vulgarmente conhecidos como macacos. No vale do Sudão, foram descobertas ossadas dos primeiros hominídios, nosso primo distante. Ficou comprovado que os homens descendiam diretamente desta nova espécie. Os evolucionistas não concluíram ainda se é este espécie de hominídio africano o principal parente do homem moderno. Há ainda uma inflexão quanto a data e ao local exato de nascimento desta espécie conhecida como homem. Austrolopiteucos, Homem de Nenderthal, e até mesmo o Homem de Lagoa Santa podem ter sido parentes diretos desta primeira espécie encontrada nesta região africana. Encontraram ainda, espécies semelhantes em outro vale, agora na Etiópia, o que comprova parcialmente que as primeiras espécies hominídias surgirão efetivamente na África. Do Homo erectus, até o homo sapiens sapiens, se passaram nada menos do que 10.000 anos. O formato do crânio, a posição da coluna vertebral, o tamanho e capacidade cerebral, a dentição e outras características morfológicas quando se comparado com o homem moderno confirmam nosso parentesco com este primeiro ser. Este hominídio, entretanto, é um ruptura evolutiva, um marco de modificação da aparelhagem biológica na evolução das espécies, apesar de sua comprovada relação com seus parentes primatas mais próximos, os símios.
Comparando-se o desenvolvimento de um chipanzé filhote com o de uma criança humana pode-se perceber que até dois anos de idade os dois apresentaram desenvolvimento cerebral semelhante, com relativa vantagem da espécie símia. O principal fator que favoreceu o pequeno macaco foi sua rápida independência dos pais em relação aos desafios de alimentação e adaptação ao ambiente. A capacidade de locomoção do macaco também foi muito mais rápida demonstrando que nos primeiros anos de vida os nossos parentes símios apresentam uma evolução física mais rápida. A partir dos dois anos de vida entretanto houve uma mudança significativa no desenvolvimento das duas espécies. A criança começou a apresentar um desenvolvimento cerebral impressionante o que rapidamente suplantou a grande capacidade física do símio. O aprendizado humano suplantou a do macaco e rapidamente a criança adquiriu uma capacidade cerebral capaz de lhe dar certa autonomia frente aos novos desafios propostos pelo grupo de cientistas. Chegaram a conclusão que, apesar de confirmado nosso parentesco com os macacos, os hominídios, e depois humanos, foram uma espécie que evoluiu consideravelmente, não em seu aparelho físico, mas em sua capacidade cerebral. Isto colocou o homem no topo da cadeia evolutiva. A Teoria de Darwin estava assim sendo confirmada. Uma espécie se torna mais apta ou por sua evolução em seus atributos físicos ou em seus atributos cerebrais e comportamentais.
Durante anos esta tese pode ser sustentada. O homem é definitivamente a espécie mais evoluída na natureza, confirmando os primeiros ensaios de Darwin. Ele pode contornar as barreiras morfoclimáticas, conquistando diversos ambientes. Ele se adaptou relativamente bem as variações de alimentos, de ambiente e figura até então o posto de espécie número um no quadro dos seres evoluídos e adaptados.
Entretanto, depois de avaliar os estudos de Darwin e das novas teorias evolutivas, especialmente em relação a evolução do ser humano, pude perceber que há uma equívoco grotesco nestas teses. Parto da seguinte afirmação: O Homo sapiens sapiens é a espécie menos evoluída no quadro das espécies existentes na natureza.
O que tento, através deste ensaio, é mostrar aos caros leitores da comunidade científica que a espécie humana caminha no sentido inverso ao proposto pelo nobre estudioso Charles Darwin e pelos demais evolucionistas. A capacidade cerebral humana e sua inteligência, principais características que qualificavam o homem como espécie mais evoluída do sistema natural, é uma lorota da ciência. Até então, a espécie humana, através de sua evolução cerebral, é apontada por cientistas como a mais apta na natureza possibilitando-o conseqüentemente a se tornar o mais forte na cadeia alimentar. Coloco algumas hipóteses que devem ser levadas em consideração em meu mais recente estudo “O Cérebro Humano: Um desevolução” (Revista Nature, abril 2002). A primeira delas diz respeito a capacidade cerebral humana. Até então comprovou-se que evolução no aparelho biológico das espécies podem condicionar a uma maior adaptabilidade ao sistema natural. Sobre isto não há o que se questionar. Entretanto, uma evolução no tamanho e no número de sinapses neurológicas não representa necessariamente uma melhor utilização do aparelho cerebral. Minha tese é portanto que o homem apresenta sinais claros de uma desevolução do ponto de vista natural. Ou seja, ele está se tornando a cada dia uma espécie com menos condições de se inserir no sistema natural atual. Duas novas questões devem ser pensadas quanto a este segundo ponto: A) Ou o homem apresentou um ápice em sua condição física e agora parece declinar – vulgarmente falando está se tornando mais burro ou B) ou o homem parece não estar mais apto a esta nova situação e sua tendência é desaparecer (aí podemos confirmar que a Teoria de Darwin estava correta). Como cientista não tenho o privilégio de divagações intelectuais e devo portanto me ater as comprovações científicas.
Em relação a primeira hipótese uma evolução no tamanho e no número de sinapses neurológicas não representa necessariamente uma melhor utilização do aparelho cerebral apresento as seguintes provas. Prova no.1: Apesar de ter um grande cérebro, se comparado com os demais animais, o ser humano é a única espécie que ingere substâncias, tais como a nicotina, o álcool, as anfetaminas, dentre várias outras, sabendo que sua utilização lhe provocará a morte ou, no mínimo, graves deficiências futuras; Prova no. 2) o ser humano destrói deliberadamente e conscientemente seu próprio habitat natural; Prova no. 3) O ser humano cria objetos que são utilizados para sua própria destruição – tais como armas, sejam nucleares, químicas ou biológicas. As demais provas podem ser vistas no meu trabalho “A Espécie Decadente” (National Geographic, setembro 2001). Então ficou-se comprovado que tamanho e número de sinapses nervosas não significa boa utilização cerebral o que comprova que a espécie humana não é tão evoluída como postularam os evolucionistas. Deste modo o homem apresenta sinais claros de uma desevolução do ponto de vista natural. A convivência parcimoniosa e simbiótica com a natureza é a marca de qualquer ser vivo em seu habitat. O homem, por sua vez, ou macaco menos evoluído, apresenta-se com uma exceção a regra. Esta é mais um sinal claro de sua inadaptabilidade ao sistema.
Das hipóteses conclusivas mostradas acima (A e B) podemos sugerir que realmente esta espécie, dita mais evoluída dos hominídios, apresenta um quadro desevolutivo cerebral grave. Em outras palavras, o homem se torna cada dia mais burro. Não que ele já tenha sido em algum momento da evolução um ser completamente capacitado dado seu potencial cerebral mas de fato ele vem degenerando ainda mais. Ironicamente, e cientificamente, podemos ainda demonstrar que ao contrário do que ocorreu com os demais animais da natureza não é o ambiente que está provocando o início de sua extinção e sim ele próprio, configurando uma situação denominada de self-competition e auto-extinção. Com mais esta prova podemos dizer que Darwin cometeu alguns equívocos, generalizando fenômenos que podem ser regras não-absolutas. Isto coloca o homem no mais baixo quadro da cadeia evolutiva e podendo dizer: Nós, e não os macacos, símios os primatas.

Dr. Rafinsk Fudezowisk Scrachadenko, PhD em Antropologia Humana pela UUFCALS, Dr. pela UGCKN e mestre pela UBOLJX.
Atualmente o Dr. Fudezowisk leciona na Universidade de Princestown, Transilvânia, CA
Tô viajando nesta merda. Vou esperar um auxílio a lista para depois usar este treco