Amigos da Onça, 'amigos', amigos da água, amigos do Senhor da Guerra e AMIGOS
Eu acho muito engraçado, pegando um gancho na história do Gui sobre sociabilidade, como as pessoas funcionam. Sempre me taxaram de grosso, de seco e frio mas eu não sou nada além do que as pessoas queriam ser na verdade. Dizem que sou de lua, que tenho reações estranhas, que pareço não me importar com os outros. Mas querem saber porque eu sou assim? Porque a maioria das pessoas com quem convivo não valem minha preocupação.
É, é verdade. Na nossa vida vivemos, convivemos, gostamos ou não das pessoas. Mais de 50% das pessoas com que partilho espaços no meu mundo não fedem nem cheiram para mim. Por força da convivência, das boas relações sociais, ou por evitar maiores problemas e conflitos eu ajo de uma forma mais agradável ou não. Às vezes engulo pessoas (como os cultizinhos que falei) só para não causar maiores traumas naquelas pessoas que realmente me importam.
O fato é que de quem gosto realmente posso passar 30 anos sem ver a pessoa que quando nos encontrarmos vai ser sempre bom, mesmo que você saiba que vão ficar mais 30 anos sem se ver – e não vai precisar ficar ligando sempre só para constar.
Aí, estabelecemos relações amplas como se todos aqueles que nos cercam fossem realmente nossos amigos. Pura besteira. Você passa uma tarde super chata com um namorado de uma amiga, por exemplo, e aí sempre tem que manter com ele relações amistosas só porque o cara é ligado a você. E passa dia, festas e etc., e você sempre tem que estar com cara boa.
Tem também aqueles sujeitos (colegas de faculdade, colegas de trabalho, colegas de academia e outros colegas) que por força do momento viram seus ‘amigos’. Aí, estupidamente, vamos nos abrindo pros caras, ficamos mais íntimos, conversamos com eles como se nos conhecêssemos há anos. O sujeito vem para você e diz: pô cara, tô precisando de uma força. E aí desanda a falar. Você dá conselhos, afaga, ampara e etc., mas quando você realmente está precisando do sujeito e ele não mais de você, você que se vire. Isso rola direto, como se fossemos bengala para as frustrações das pessoas.
Você acha que eu poderia dizer tranqüilamente assim para esse ‘amigos’: Meu filho, você tem vinte e X anos, é vacinado, teve educação, se vira, eu já estou cheio de problemas e você me aparece com isso? Já para os amigos de verdade não teria tempo ruim, você pode chegar pro cara e falar: Ou, larga de ser viado, putaquilpariu, vira homem sô e dá um jeito logo nisso.
Arrependido, achando que perdeu um ‘amigo’ por ter sido meio seco com o cara, você acaba ficando super triste. Besteira. Esse tipo de gente nunca foi seu amigo. E pior, quando você vira pro cara e fala, como eu já falei, até nunca mais, o cara horroriza com você. Mas a gente não era amigo?
Que amigo? Você pensa.
Sorrisos, risadinhas, e outros blá,blá,blás de relações sociais. Você nunca pode ser você mesmo, porque se fosse, o mundo ia ser mais azedo que realmente é. Pelo menos não ia ser hipócrita, cheio de gente que é só você virar as costas e o neguinho está te ferrando por trás. E aí cara já arrumou um emprego?
Não????!!!!!!.
Que pena, você é tão bom no que faz. Ai você sai fora e o cara: Bem feito, arrogantizinho de merda.
Se eu pudesse ser mais seco, mais frio e mais grosso do que sou hoje, com certeza seria mais tranqüilo. Só aquelas pessoas que são realmente importantes para mim e aquelas que me conhecem estariam do meu lado. Poderia falar de verdade o que penso quando um ‘amigo’ vira para mim e me pede um conselho. Seria portanto uma economia de falsidades para evitar meu apagão de honestidade (filosofia do suvaco).
Pois é, você poderia falar com o cara sinceramente que não quer sair com ele porque a namorada dele é um saco, ou poderia dizer que você só está mantendo relações amistosas com ele porque está afim de conhecer a irmãzinha gostosa dele, ou por que não tem nada melhor para fazer. E aí, quando os caminhos se descruzassem naturalmente você não precisa sentir aquela obrigação de ligar de vez em quando.
Quantas vezes eu ouvi: Que isso cara, você sumiu. Mas nunca posso dizer: É, sumi de você seu porre. Você acha realmente que se eu importasse com você eu teria sumido? Ou então: Você não concorda comigo?
Não. Como você é idiota pensando assim?
Por isso decidi acabar com essas amizades de conveniência e é por isso que o mundo funciona com Opa, Tudo Bom, Eba, Oi, Olá e How Are Yous. Pode ser que eu descubra que só irá me restar ½ dúzia de pessoas ao meu redor, mas com certeza essa ½ dúzia vale morrer por elas.
O fato então é: Quem eu gosto de verdade, sabe. Quem eu não gosto, sabe também mas finge que não. E aí vamos vivendo tranqüilamente......
..... Mas saiba que você que está lendo isso é meu amigo de verdade, viu?
Senhor da Guerra, o Pacificador