Buddha, Morte, Espiritualidade, Gato e afins
Estou ouvindo um CD do Buddha Bar. Músicas interessantes....
Mas não vim aqui falar de música. Hoje é domingo. Um dos primeiros domingos em dois anos de namoro que passo sozinho, ou seja, sem a patroa.
Eu vivo reclamando que nunca tenho tempo de ficar sozinho e, quando realmente tenho, sinto a falta dela. Acordei, fui ao arco e flecha e depois fui almoçar no meu sítio em Lagoa Santa com minha enorme família (eu, meus pais, meus irmãos e meus avós).
Meu avô parece estar manifestando sinais de Parkinson. Ele está trêmulo, meio esquecidinho.... Sei não. Sempre que o encontro vejo que meus dias com ele podem estar acabando. Porém, ao invés de me lamentar, de me entristecer, de fritar com a possibilidade de ele poder morrer em breve (breve não significa por agora) eu vou é curti-lo cada vez mais.
Somos uma família pequena e muito unida. Sempre convivi com meus avós que só têm eu e meus irmãos de netos. Eu, claro, sou o queridinho do vôvô. Netão forte, inteligente, bonito, macho, educado e...... 1 milhão de etcs.
Quando novinho fumava, dirigia, bebia, brigava, tinha cabelo grande, brincos e tatuagens, e mesmo assim eu era o preferido. Era um doido, mas eu era o doidinho predileto.
Pode ser que ele morra. Sua decadência nos últimos anos é visível, o que faz com que todos na minha casa sofram. Eu não. Se ele tiver que morrer eu sei que fui um bom neto, atencioso, carinhoso, companheiro (uma vez fomos eu e ele para Portugal – fora as inúmeras vezes que fomos ao Mineirão juntos). Não tenho porque me lamentar.
Ele também anda meio surdo (mas enfim se convenceu de usar aqueles aparelhinhos). Ele parece o ACM, um coronelzão baiano, meio barrigudo e com cara de bravo ao mesmo tempo que simpático.
Eu sei que gosto dele pra caralho.
Nessa última semana eu pensei muito na Morte. Temida por uns, adorada por outros, cultuada ao longo dos tempos. O que é morrer? O que há ou há coisas após a morte? Há mortes em vida? Todas essas coisas.....
Tudo começou no sábado passado. Eu e Jorge (um amigo meu) conversávamos sobre muitas coisas, inclusive sobre a morte. Muitas pessoas morrem próximas a ele. Eu também já assisti algumas mortes trágicas..... bizarro termos entrado neste assunto.
Na quarta fui dar aulas no Centro Eclético e vi o fumaça (o novo morador do local). O fumaça é um gatinho feio, magricela, pequeno, sujo e gripado que os meninos colocaram lá. Foi a primeira vez que encosto em um gato em quase 20 anos. Tinha alergia. Na verdade nem sei se tenho.
Minha mestre reikiana dizia que meu medo de gato é meu medo em relação à minha própria espiritualidade. O gato (cultuado como deus da morte nos antigos egípcios se comunica com os dois mundo - dos vivos e o dos mortos) poderia ser minha recusa a aspectos de minha espiritualidade. Sei que ao ver o Fumaça pensei na morte na hora. Comentei com meu 'pupilo' sobre este assunto, discutimos rapidamente e ficou nisso.
Há um mês atrás recebi um aviso que a morte vai cercar minha vida. Irônico não? Fui em uma vidente que me lançou algumas previsões amedrontadoras (amedrontadoras para aqueles que se importam com isso). O fato é que no meu caminho de vida tive diversas relações com essa senhora chamada morte.
Ela me mostra seu poder, me convida, tenta me intimidar, mas não consegue. Eu sou guerreiro, não planetário, e um guerreiro que se preze respeita-a mas nunca a teme. Ele aceita seus desafios, corre seus riscos, sabendo da inevitabilidade deste acontecimento.
Ofereci, ofereço e sempre oferecerei minha própria vida em prol da justiça, da honra e do respeito. Seja para qual pessoa que for e em qualquer momento que ela precisar. Minha vida NÃO É mais importante do que a vida de qualquer outro ser.
É por isso que estudo guerra, é por isso que queria trabalhar em zonas de conflitos, é por isso que quero me especializar em políticas de defesa, é por isso que sempre estenderei minha mão àqueles que precisam naquele momento.
O que me falta (lembrando da conversa no Bolão) eu busco depois. Atualmente não tenho quase nada (material) mas o pouco que tenho continuo tentando distribuir para os que tem menos. O que eu tenho de imaterial (caráter, respeito, dignidade, coragem) eu posso compartilhar com outros seres vivos.
SOMOS RESPONSÁVEIS SIM POR TODOS AQUELES SERES QUE NOS CERCAM
Vida e morte passam a ser tão insignificante quando sentimos a plenitude das relações no universo. Minhas ações, minhas não-ações (que também não deixam de ser ações) têm e sempre terão impacto no universo, esteja eu sobre qualquer forma (viva ou não-viva).
Os lamentos só servirão para prejudicar o que venho tentando construir há muito tempo, um ser humano feliz. Com avô, sem avô, com ou sem dinheiro, gordo ou magro, eu continuo vivenciando a plenitude de ser um homem bom. E quem me ensinou muito sobre isso? Tanto a vida (e aqueles pessoas que vivem ao meu lado) quanto a morte (que também conversa comigo de vez em quando).
Engraçado que sempre que sentimos a presença de um acontecimento trágico nós começamos a nos apegar a religião. É como se corrêssemos desenfreadamente atrás da re-conexão com Deus, achando que estávamos de alguma forma ou por algum tempo des-conectado. As pequenas mortes diárias que sofremos, a grande morte que chega não é momento para se re-conectar porque não há o que se re-ligado. CONTINUAMOS SEMPRE LIGADOS.
Seria um alívio então para uma consciência que se sente pesada? Seria a última confissão? Seria o perdão divino? Quem perdoa não é Deus, Jesus, Alá, Buda, Krishna, somos nós mesmos que nos perdoamos. Sabem por que? Porque nós somos Deus.
Eu sou Deus e Deus sou eu. Quem tem que se perdoar por alguma coisa ou se re-ligar é você com você mesmo. Quem tem que se re-conectar é seu espírito, com seu corpo e com sua consciência. Daí ocorre que você não mais morre mas re-cria uma vida, uma vida plena e consciente. Pode ser que não no plano terreno, mas com certeza uma vida foi criada..... a sua, a de Deus.
Passei então a mão no gato (depois de 20 anos) e olhando fundo em seus olhinhos remelentos eu vi que nós dois poderemos passear junto por ambos os reinos. O fumaça sabe que agora que a morte não é por mim afastada de meus olhos eu poderei enxergar ambos os planos como um único, universal. Não há mais vida e nem morte, nem planos separados porque todos eles estão dentro de mim mesmo, um homem, um Deus.
Quando morrer novamente em vida significará que estou passeando por mim mesmo, escolhendo como quero ser visto. E quando morrer no seu sentido restrito é porque não quero mais me manifestar divinamente através de meu corpo e só através do meu espírito.
Por isso, eu acabarei me tornando eterno, como nunca deixei de ser. Por isso eu acabarei me tornando divino, como nunca deixei de ser. Re-ligare pra quê, se nunca me separei de mim mesmo.
Fiz o que pude, não fiz o que pude também; Vou fazer o que devo e o que não devo, mas talvez não vá faze-los também. Agora, importa o que eu vou fazer? É claro que sim. Eu e vocês somos a mesma coisa. Quando eu cuido de vocês estou cuidando também de mim e vice-versa....
Cultuarei todos vocês e a mim mesmo como meu Deus e não só os gatos poderão saber como são os reinos, que é único.
Ouço agora a Voice of Buddha......
O Vazio e somente ele.....