Minha Viagem à Bahia Parte I – Os Paulistas
Como a maioria sabe fui pra Trancoso. Sai de BH no dia 29 e chegamos lá no mesmo dia. Não vou ficar aqui contando onde fui, quando e etc’s que não interessam à maioria. Vou sim contar algumas partes peculiares desta viagem que foi, no frigir dos ovos, muito interessante.
O primeiro assunto ao qual me dedicarei é: os paulistas. Bom, há uns 5 anos atrás fui para Dunas de Itaúna. Cidadezinha legal mas com um grande problema: cheia de manos. Em 1999/2000 fui pra Nova ‘Viscosa’ e depois pra Salvador. Em Nova Viscosa tinha muitos manos também, em Salvador menos (por isso que Salvador foi du caralho). Este ano 2002/2003 resolvemos, a Patroa e eu, irmos pra Trancoso, que segundo ela era uma cidadezinha muito tranqüila, reduto de hippies, território livre, sem asfalto e ainda intocada pelos ‘males’ da civilização.
Mal sabíamos que este ano haviam inaugurado um Club Med lá. Resultado: Paulistas mil. Mas você não gosta de paulistas? Não, gosto sim, mas com eles alguns problemas vem agregados. Para minha surpresa e da patroa Trancoso estava com asfalto até sua entrada. Há dois anos eles tinham reformado toda a estrada que vai de Eunápolis, passando por Arraial Deus me Ajuda até Trancoso. Motivo: Ricos queriam conhecer a cidade e o Club Med.
A patroa havia me dito: Está estrada eu até sabia mas Trancoso ainda é de ruas de terra. Beleza, chegamos na cidade e para nossa surpresa toda ela estava com ruas de pedrinhas, até melhor que Búzios. Resultado: mais turistas, mais carros e mais paulistas. Desconfigurou a cidade! Disse minha patroa indignada. Quando vim aqui a 3 anos atrás não era nada assim!
Chegamos e começamos a andar pela cidade. Bares tradicionais haviam sido fechados. Cartazes anunciavam Rave’s, Trance’s e etc. Havia restaurantes cinco estrelas, mais lojas chiques, bares ‘a nível de’ São Paulo. Pousadas que cobravam 500 reais a diária para o casal. Putz, Putz, mil vezes Putz. Havia menos hippies. Agora os maconheiros da cidade, que podem fumar tranqüilamente pelas ruas, usavam bermudinhas Guess, camisas Pólo Ralph Lauren e aqueles tênis pós-modernos. Ué, meu bem, cadê os hippies fedorentos?
Sei lá.
De repente me chegam no Quadrado (point da cidade) dois Land Rover e me descem aqueles manos riquinhos da alta burguesia de São Paulo. Cada um dirigindo um carro e dizendo assim:
Fernando, liga seu motorola no canal 5 que a gente se comunica, certo?
Certo
Os caras estavam com walk talkies motorola numa cidadezinha que se resumia a uma praça. Putaquilpariu. Vamos beber? Disse eu. Quanto é a cerva?
4 reais
O quê?
4 reais.
3,50 a Antártica.
Fala sério
Ta. Não vou beber uma cerveja a 4 reais. Vamos passear e conhecer os bares. O tal do Buddha Bar é legal, disse um amigo da minha irmã. Lá era todo cheio de almofadas, poltronas, sofás, espalhados pelo ambiente, tinha até cama lá. É super confortável. Chegamos lá e o que vimos? Tudo diferente, mesas decoradas com copos de cristal, velas chiquerrimas, mesas de sinuca, luzes de laser e muitos manos playboys.
Ou, mas aqui não tinha tanto paulista a pouco tempo atrás.
Vamos então em uma festa. Tem duas. Uma é no Bar Bahia Bonita (Cerveja 3,50, Trance, na beira da praia). E a outra era no Bar Vegetal (Cerveja 3,50, Trance, na beira da praia). Ou seja, as duas festas eram idênticas. Só um detealhe na primeira festa o preço para entrar era 15 reinaldos, na outra era de graça.
Fomos caminhando até a praia. As músicas pareciam idênticas mesmo só que no lugar onde era 15 conto estava lotado de manos na porta, no outro bar estava vazio. Será coincidência? A partir daí comecei a reparar que toda festa que era de graça os paulistas não iam, só nas que cobravam 15, 20 reais.
Fomos para a praia dos Espelhos um dia. Conversei com um cara de São Paulo que concordou comigo: tudo que paulista põe a mão fica caro. Torta de Chocolate 6 reais, Blood Mary 8 reais, doze de Vodka 7 reais, Bohemia 4 reais, cigarro Hollywood 2 reais. Qualé!
No dia 02 a paulistada foi embora, afinal tinham que trabalhar. Fomos pra praia. Quanto é a cerva?
3 reais
Ué, mas ontem era 4?
Baixou o preço
Foi incrível. Depois que os paulistas foram embora tudo na cidade baixou de preço. Tudo mesmo. Saíram os manos riquinhos e começaram a chegar os hippies. Um sanduba que era 7 reais baixou pra 4,50. Um colarzinho que antes era 5 foi pra 3. Aí a viagem começou a ficar legal.
Ano que vem vou fazer um pesquisa na internet para descobrir onde irá ser o quente do verão pros paulistas e vou tomar a direção oposta. Tomara que eles não queiram ir pra Itacaré porque é pra onde estou querendo ir.
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