Cidades de Interior
Cidade de interior é relativamente uma bosta (me remetendo as palavras do Youssef). Tem um amigo meu que sempre tira um sarrinho de caras que moram em cidadezinhas de interior. Tipo:
Pois é, cara. De onde você é mesmo?
Sou de Raul Soares (dizem com o maior orgulho)
É mesmo. Que coincidência! Eu morei lá dois anos.
Aonde?
Perto da praça principal. Aquela da Igreja. Qual era mesmo o nome da rua.....?
A Eclesiano Ferreira
É, ela mesmo.
Mas você morava aonde?
Sabe aquela padaria?
Sei
Umas duas casas pra cima.
E você conhece o fulano?
O moreno?
Não, o loiro.
É mesmo, como ele se chamava mesmo.....? é, é....
Adalberto
Isso, o Adalberto, amigo daquele moreno, o.....
Juvenal???!!!
Ele mesmo. Como é que ta a moçada?
E por aí vai. Toda vez que esse amigo conhece alguém de uma cidade de interior o papo é o mesmo.
O pior nem são as cidadezinhas pequenas. São as cidades que por ter um cineminha meia boca, um Mac Donald’s, uma galeria que chamam de shopping e uma boite night club se entitulam cidades grandes. Posso citar milhares: Ipatinga, Uberlândia e Uberaba, Governador Valadares, Juiz de Fora, Poços de Caldas, Varginha e Três Corações e por ai vai.....
São umas bostinhas de cidade, onde seus habitantes se pensam cosmopolitas e ainda tiram sarro das cidades menores próximas. Você passa uma semana nestas porcarias e vai nos mesmos lugares umas três vezes, vê sempre as mesmas pessoas (a ‘natinha’ merda da cidade), fala sobre os mesmos assuntos sempre (até porque se você for diferente deles eles te execram), e repetem isso toda semana, todo mês, durante todo o ano e ao longo de suas míseras vidinhas.
Nas minhas andanças por esses lugares percebo o quanto é bom você ser anônimo, poder escolher ir ou não ir, fazer ou não fazer, sem que metade da cidade saiba o que você comeu no almoço.
São realmente cidades grandes e não grandes cidades. Você é quem? Filho de quem? O que você faz? O que você não faz?
Agroboys, pagoboys, garotas glamour, filhos de prefeitos, abomináveis. Os caras viajam para o exterior (3 vezes pra Miami, 2 pra Orlando), tem camionetes estribadas que tocam SPC, Rio Negro e Solimões e coisas desse nipe, torram todo dinheiro que papai ganha nas fazendas cheirando e tomando uísque e ainda sim continuam falando igual caipiras. Os cultizinhos são pré-fabricados (cada um tem uma meia dúzia de livretos para arrotar nas mesas do boteco da mãe de um). Skatistas em cidades que ainda tem paralelepípedo.... Fala sério?
Eu adoro cidade do interior (tipo Santa Rita de Caldas – cidade em que minha vó nasceu), onde as pessoas sabem que são gente de cidade pequena, mantêm comportamentos e idéias de cidade de interior. O que eu realmente detesto são cidades caipiras, provincianas, mascaradas por meia dúzia de ‘pogressos’ e onde as pessoas mantêm aquela manta cosmopolita por debaixo de uma pele de capiau.
Tem cidade mais capiau e com povo mais caipira que a nossa bosta de Belo Horizonte. Roça grande, cheia de jeca. Isso aqui é realmente um CURRAL (cheio de jumentos).....
E é por isso que tem horas que me dá uma terrível vontade de acender um cigarrinho de palha e prozear com os amigos na praça....
O Vazio de um domingo em cidade de interior na hora da missa
