quinta-feira, novembro 21, 2002



Cidades de Interior

Cidade de interior é relativamente uma bosta (me remetendo as palavras do Youssef). Tem um amigo meu que sempre tira um sarrinho de caras que moram em cidadezinhas de interior. Tipo:

Pois é, cara. De onde você é mesmo?

Sou de Raul Soares (dizem com o maior orgulho)

É mesmo. Que coincidência! Eu morei lá dois anos.

Aonde?

Perto da praça principal. Aquela da Igreja. Qual era mesmo o nome da rua.....?

A Eclesiano Ferreira

É, ela mesmo.

Mas você morava aonde?

Sabe aquela padaria?

Sei

Umas duas casas pra cima.

E você conhece o fulano?

O moreno?

Não, o loiro.

É mesmo, como ele se chamava mesmo.....? é, é....

Adalberto

Isso, o Adalberto, amigo daquele moreno, o.....

Juvenal???!!!

Ele mesmo. Como é que ta a moçada?


E por aí vai. Toda vez que esse amigo conhece alguém de uma cidade de interior o papo é o mesmo.

O pior nem são as cidadezinhas pequenas. São as cidades que por ter um cineminha meia boca, um Mac Donald’s, uma galeria que chamam de shopping e uma boite night club se entitulam cidades grandes. Posso citar milhares: Ipatinga, Uberlândia e Uberaba, Governador Valadares, Juiz de Fora, Poços de Caldas, Varginha e Três Corações e por ai vai.....

São umas bostinhas de cidade, onde seus habitantes se pensam cosmopolitas e ainda tiram sarro das cidades menores próximas. Você passa uma semana nestas porcarias e vai nos mesmos lugares umas três vezes, vê sempre as mesmas pessoas (a ‘natinha’ merda da cidade), fala sobre os mesmos assuntos sempre (até porque se você for diferente deles eles te execram), e repetem isso toda semana, todo mês, durante todo o ano e ao longo de suas míseras vidinhas.

Nas minhas andanças por esses lugares percebo o quanto é bom você ser anônimo, poder escolher ir ou não ir, fazer ou não fazer, sem que metade da cidade saiba o que você comeu no almoço.

São realmente cidades grandes e não grandes cidades. Você é quem? Filho de quem? O que você faz? O que você não faz?

Agroboys, pagoboys, garotas glamour, filhos de prefeitos, abomináveis. Os caras viajam para o exterior (3 vezes pra Miami, 2 pra Orlando), tem camionetes estribadas que tocam SPC, Rio Negro e Solimões e coisas desse nipe, torram todo dinheiro que papai ganha nas fazendas cheirando e tomando uísque e ainda sim continuam falando igual caipiras. Os cultizinhos são pré-fabricados (cada um tem uma meia dúzia de livretos para arrotar nas mesas do boteco da mãe de um). Skatistas em cidades que ainda tem paralelepípedo.... Fala sério?

Eu adoro cidade do interior (tipo Santa Rita de Caldas – cidade em que minha vó nasceu), onde as pessoas sabem que são gente de cidade pequena, mantêm comportamentos e idéias de cidade de interior. O que eu realmente detesto são cidades caipiras, provincianas, mascaradas por meia dúzia de ‘pogressos’ e onde as pessoas mantêm aquela manta cosmopolita por debaixo de uma pele de capiau.

Tem cidade mais capiau e com povo mais caipira que a nossa bosta de Belo Horizonte. Roça grande, cheia de jeca. Isso aqui é realmente um CURRAL (cheio de jumentos).....

E é por isso que tem horas que me dá uma terrível vontade de acender um cigarrinho de palha e prozear com os amigos na praça....

O Vazio de um domingo em cidade de interior na hora da missa


Sr. Presidente, o Lula, e o FMI

O Excelentíssimo presidente eleito, Luis Inácio da Silva, o Lula, foi até New York negociar com a equipe do Fundo Monetário Internacional rolagem da dívida, empréstimos e outras stuffs.

Chegando no Aeroporto, uma chuva grotesca. Para não molhar as calças, ele resolve subir a barra. Entra na limosine que vai levá-lo até a reunião.

Fotos, cumprimentos, e todo aquele etc. (chamado de Cerimonial). Começa a reunião, que logo fica por demais calorosa. O Presidente Eleito, 'Seu Lula', se exalta, gesticula, fala alto. Neste momento, Aloisio Mercadante percebe que a barra da calça do Digníssimo Presidente ainda esta levantada. Ele, faz um sinal pro Lula e cochicha em seu ouvido:

Lula, abaixa as calças.

Lula responde:

Calma Companheiro, vamos tentar negociar mais um pouco.

O Vazio que ficará nos cofres públicos caso a dívida não seja rolada.....

segunda-feira, novembro 18, 2002



O porquê dos nomes, links, blogs e Tao

O I Ching ajuda na explicação dos blogs e seus respectivos blogueiros.....

Em um blog denominado O Vazio, Coisa e Tao eu não poderia deixar de nominar os links tendo como base os Elementos naturais presentes no Livro das Mutações (alguns não tão presentes assim). É óbvio também que a cada elemento corresponde características sérias e características não tão sérias quando associado aos blogs correspondentes. Portanto, a nomeação dos elementos em virtude de um blog se tornou uma tarefa bem divertida.

Porque ao blog do Maurício eu associei o elemento Terra? Ora, a resposta é bem óbvia. Ele é o Inhame Rei, o Imperador da Inhamolândia, não tem jeito de ele não ser o pé sujo, o terrinha, o mamãe natureza. O Maurício é Terra sem dúvida. Ele se manifesta de vez em quando, mostrando aos demais elementos a verdade única, sábia, da mamãe terra. Toda vez que ele se manifesta (escreve) é para mostrar aos demais elementos a verdade última (ele age como um terremoto, pronto a abalar as estruturas das ‘verdades’ que circulam pelos blogs elementais). É a profética voz da mamãe natureza... que se manifesta de vez em quando mas surge como uma ruptura difícil de não se sentida.

Tá bom, é os demais? Vamos por parte.

Porque o blog do Ganso é o Ar? Já imaginou o porquê? O ganso é como uma rajada de vento, vem, escreve, ‘assopra’ algumas questões na mente de todos e depois some. O ganso é e sempre foi o cara mais aéreo que conheço (meio cabeça de vento mesmo). Desligado, sem constância, irregular, não o vemos mas sentimos sempre sua presença. Está em todos os lugares, às vezes ‘assoprando’ coisas interessantes, às vezes nos incomodando com sua falta, às vezes nos incomodando efetivamente com suas ‘baforadas’. O Ar, Ara, Araguari (viu gente? Eu também sei fazer poesia). O ganso é o ar, viajante pelo mundo, viajante nele mesmo.

E o Dark? Porque o blog dele é luz? Mesmo na sua suposta ‘escuridão’ (de seu blog e mesmo de sua personalidade) ele é mais lúcido, claro e transparente do que se imagina. Se é lúcido, ele é luz. Ele sabe que sua escuridão é, na verdade, uma luz incompreendida pelos demais, que por isso pode ser escuridão. Também, sua arma é brilhante. O Charlie Brown é o incompreendido pela sua turma, chega a ser meio azedo, mas é só buscar compreende-lo que você verá como ele deixa de complexo para ser um menino simples, claro, tranqüilo, menos incompreensível.

E a água? O Antônio é a água porque? Dentre todos os blogs da galera, o Antônio me parece o mais flexível de todos, o mais fluido em pensamento (apesar de seus textos serem ‘turbulentos’ como um redemoinho). De fato, o Antônio é o mais tranqüilo, segue seu caminho calmamente sem que grandes barreiras o interrompa, somente segue fluidamente. Também, como a água em uma represa, ele espera, vai se acumulando, até que irrompe em pensamentos. Às vezes vem como uma onda, um tsunami, forte, revirado, aparentemente confuso, mas não deixa de ser só água.

Agora, e os demais? Com certeza vai gerar alguns bons comments.

O Guilherme é o fogo. Fogo que se você não ficar esperto te queima, dói, te consome. Fogo que expande, que esquenta, mas que pode machucar. Fogo que pode ser usado para o bem ou para o mal. O Guilherme é aquele que destrói (no sentido oriental da palavra) a si mesmo e ao outros vendo nisso a possibilidade da criação de algo novo, renovado – como uma bela floresta que nasce depois de uma queimada. Ele é energia e energético, é chama. Ele pode gerar luz, manter vivo as coisas, mas também pode se descontrolar. O Guilherme é fogo pois ‘alimenta’, com sua energia, as pessoas que estão à sua volta e ‘queima’ aqueles que ousam atravessar negativamente seu caminho. Seu blog é sem dúvida o que mantêm muitos outros acesos.

Meyer e o metal. Seu blog é rígido como metal... duro, firme, assim como suas opiniões. Poucas pessoas parecem ser tão convictas e seguras de suas opiniões como ele mesmo, às vezes beirando a intransigência. Mas sua natureza é a da possibilidade de flexibilização, de se tornar maleável, quando bem trabalhado (pergunte pra patroa dele se não é assim). Pode assumir várias formas (não significa várias caras) dependendo da situação. Pode ser o doidinho, o cult, o bom filho e namorado, o radical, o escrotinho com os outros, e por aí vai. É firme externamente, mas suas ‘ligas’ não são. Mantêm-se rígido demais algumas vezes, durão, mas é só à primeira vista. O fogo é o elemento que mais consegue dobra-lo.

E o Renato Orozco? Porque diabos ele é a madeira? Posso começar dizendo por ter uma grande cara de pau. Hahahahaha. O Renato me detestava a pouco tempo atrás (talvez não tão pouco), mas o fato é que ele tinha os dois pés atrás comigo (com certa razão) e, como bom funcionário público e político, ele sabia fingir direitinho que eu era tolerável para ele. Por sua cara de pau eu te nomeei Madeira. Não. A verdade é que o Orozco é madeira por ser uma casca por fora e algo diferente por dentro. É madeira por construir coisas interessantes, por dar suporte àqueles que ele gosta (mesmo com sua casca grossa). É madeira por ser rígido como o metal, mas também assemelha-se ao metal por ter a propriedade de ser trabalhado, tornar-se coisas fantásticas, produtivas e úteis. Fica firme até o ponto que pode ser ‘quebrado’, momento em que se sente ‘machucado’ sim. Ele alimenta o fogo (nas suas briguinhas com o Guilherme) mas constrói discussões interessantes.

Por isso moçada eu viajei em vocês e seus Elementos correspondentes. Como o blog é Tao, não levem os comentários para um lado Tao ocidental. Todos elementos tem seus lados yin e yang, construtivos e destrutivos, masculino e feminino (e eu não estou chamando ninguém de viado), expansivos e retrativos. Também posso ter cometido alguns equívocos, mas o fato é que não conheço a maioria de vocês a ponto de poder falar fulano é ou não é assim, de modo que só posso dizer que são essas as Máscaras que criei para vocês, as impressões que me passam por suas ‘personalidades’.

Não levem as coisas Tao a sério....


O Vazio de uma saboneteira quando você já se molhou no chuveiro....